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Postada por: Jr Lopes dia 10/06/2010
Artigo: DROGAS X JOVENS
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Paulo Hamilton


Ouvindo num certo canal de televisão uma entrevista do famoso cidadão Edson Arantes do Nascimento o “Pelé”, dizer que: “sempre se preocupou com os menores, pois receou-se sempre com o aumento do uso de drogas no meio dos jovens, e jamais poderia imaginar que seu filho estivesse envolvido com tal fato”.


Efetivamente, acho que pouca gente discorda de que a maior fonte de violência dos tempos atuais advém do comércio de drogas ilícitas. Assistimos através da mídia a verdadeiras guerras urbanas em que grupos rivais se enfrentam em combates sangrentos; há execuções em plena luz do dia. E a polícia mal consegue se equiparar aos bandidos em estratégia e em poder de fogo.


Aí  assistimos a episódios como aquele da derrubada de um helicóptero da polícia causando mortes e ferimentos em seus ocupantes. O vídeo correu o mundo e foi, inclusive, utilizado para tentar desmoralizar a vitória do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016. Disseram que não somos capazes de garantir a segurança necessária para a realização deste importante evento esportivo.


Neste ponto faz-se necessário abrir um parêntese. Estes críticos se esquecem que foi em um país de primeiro mundo que houve um enorme massacre de atletas, em Munique 1972. A segurança não pode ser garantida de forma absoluta em nenhum lugar do mundo, seja Madri, Chicago ou Rio de Janeiro. Estas críticas são injustas também se considerarmos que o PAN 2007 foi realizado de forma bastante ordeira.


Mas é evidente que o problema da droga é a principal fonte de preocupação das autoridades com relação ao quesito segurança pública.  Especialmente após o advento do crack, uma forma de utilização de cocaína que é altamente viciante e, além de tudo, mais barata. Por isto, esta droga, que era antes restrita às camadas mais privilegiadas da sociedade, se popularizou de tal maneira que hoje seu comércio é realizado em todos os rincões do Brasil.


Este crime cresce como um câncer. Ele se alimenta de muitas fontes, tais como a pobreza e o desemprego, que possibilitam aos empresários do tráfico arregimentar um grande número de funcionários. Como toda empresa capitalista, este setor cria diversas vagas para a mão de obra disponível. Existe o “avião”, o “transportador”, o “gerente”, o “olheiro”, etc, todos devidamente remunerados de acordo com a importância do cargo, sendo mesmo possível fazer “carreira”.


Existem muito outros crimes que decorrem indiretamente do tráfico, como roubos, assaltos, seqüestros e latrocínios. A maioria destes efetuados por viciados que buscam dinheiro para satisfação do vício. O poder dos comerciantes marginais cresce sem cessar atingindo dimensões impressionantes.


E como combater este crime? Exatamente por ser uma indústria que atende uma demanda regular por parte da sociedade, torna-se praticamente impossível destruí-la. Toda vez que um deles é apanhado, outro toma imediatamente seu lugar. Muitas vezes seus próprios familiares se encarregam de tomar conta dos negócios enquanto o que foi aprisionado continua dando ordens do presídio.


O problema, portanto, nos parece que reside na demanda. Enquanto houver viciados dispostos a pagar o que pedem os traficantes, o comércio não cessará. Para manter a certeza desta afirmação, basta lembrar que mesmo nos Estados Unidos, cuja polícia conta com muito mais recursos do que a nossa, também não consegue coibir com sucesso a prática deste ilícito.


A tendência, entretanto, de nossa política criminal é a discriminação do viciado. Este tende a ser visto como um doente que precisa ser tratado. A repressão, diz a maior parte das autoridades, deve ser realizada exclusivamente sobre os traficantes. Eu não concordo totalmente com esta visão. Até porque muitos viciados também agem como pequenos traficantes, introduzindo outras pessoas no inferno das drogas.


Há  também os que defendem a descriminalização das drogas. Assim se cortaria de uma vez a forma de comércio clandestino, que é o que alimenta toda aquela espiral de violência.


Esta proposta é rechaçada sob o argumento de que as drogas leves são caminhos para as drogas pesadas. Isto é verdade. Mas este argumento pode ser utilizado também para questionar o uso de bebidas alcoólicas, que causam estragos profundos tanto física quanto mentalmente e são amplamente liberadas, sendo permitida, inclusive, sua propaganda na televisão utilizando a imagem de artistas famosos na divulgação.


Como já afirmado anteriormente, a liberação do uso de drogas não deve ser adotada em curto prazo. Existem muitos motivos para a cautela em sua adoção. Países que a adotaram de maneira restrita, como a Holanda, por exemplo, ainda não apresentaram estudos conclusivos sobre sua eficácia.


De qualquer modo, a solução do problema não  é fácil. O ideal seria que o vício fosse combatido no âmbito familiar. Suas causas estão, dizem as estatísticas, relacionadas à curiosidade e a diversas carências emocionais dos jovens resultadas da desestruturação moderna do lar. Muitos destes buscariam as drogas como uma forma de compensação para seus problemas psíquicos e existenciais.


MENSAGEM AOS JOVENS:


DROGAS


Diga não


Recuse sempre


Orgulhe-se de ser careta


Quanto aos amigos usuários


Ajude-os a vencer as DROGAS


Sem preconceitos, só com AMOR!

 

Um abraço fraternal a todos.


(Paulo Hamilton é  professor aposentado em Naviraí  e colaborador deste site)


Fonte: Paulo Hamilton







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