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Postada por: Jr Lopes dia 26/01/2021
MS teve queda nos pedidos de seguro-desemprego em 2020
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Mato Grosso do Sul encerrou 2020, ano de pandemia da Covid-19, com 95.559 solicitações de seguro-desemprego, de acordo com dados do Ministério da Economia. O número é 5,7% menor em relação ao acumulado de 2019, quando foram 101.393 pedidos.

 

Somente em dezembro foram 6.532 pedidos de seguro-desemprego no Estado. Em relação ao mesmo mês de 2019, a queda é de 8,11%, quando foram solicitados 7.109 benefícios.

 

A economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio-MS (IPF-MS), Daniela Dias, explica que o motivo da queda nas solicitações se deve às alterações comportamentais ocasionadas pela pandemia, que levou pessoas a abrirem seus próprios negócios.

 

“Durante os meses de abril e maio, o desemprego foi bem significativo e continuou crescendo nos meses seguintes, mas foi perdendo aos poucos a velocidade. É importante destacar que, em meio à pandemia, as pessoas tiveram alterações comportamentais: aquelas que estavam desempregadas tentaram buscar oportunidades e saídas de empregos".

 

"Por isso não houve o aumento expressivo dos pedidos de seguro-desemprego, na verdade, isso significa que as pessoas conseguiram se reinventar em período de crise”, esclareceu a economista.  

 

Ao analisar o primeiro quadrimestre de 2020, o número de entradas no seguro-desemprego foi menor do que em 2019. De janeiro a abril de 2020, foram 34.780 solicitações em Mato Grosso do Sul, ante as 36.438 contabilizadas no mesmo período de 2019.

 

O objetivo do seguro-desemprego é garantir assistência financeira temporária ao trabalhador que foi demitido. O benefício pode ser solicitado pela internet ou nos postos de atendimento do Ministério da Economia e do Sistema Nacional de Emprego (Sine).

 

Do total de requerimentos em 2020 (95.559), 86% foram realizados pela internet, seja por meio do portal gov.br ou pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital.

 

No Brasil, o número de pessoas que deram entrada ao pedido de seguro-desemprego alcançou 6,784 milhões de solicitações. Daniela explica que os segmentos de comércio e serviços foram os mais acometidos pelo desemprego em 2020.

 

“Nós temos destaque para os segmentos de comércio e serviços, que foram os que mais dispensaram funcionários. [Esses setores] são também os que mais empregam, porém, foram os que de imediato tiveram uma interferência bastante significativa, principalmente nos setores imobiliário, administrativo e no ramo de alimentação”, disse.

 

Outubro foi o mês com o menor número de pedidos de todo o ano passado, 17% menor que o mesmo período de 2019. A economista reitera que a perspectiva para este ano, com a chegada da vacina, é a de uma queda ainda maior nas solicitações.

 

“Se a vacina repercutir de maneira positiva e tivermos o controle da pandemia, teremos uma repercussão positiva no mercado de trabalho. São muitas variáveis que podem impactar a economia, mas a expectativa é de aumento nas contratações e seguir com a redução do seguro-desemprego nos próximos meses”, finalizou.

 

BENEFÍCIO

O auxiliar de manutenção Pedro Paulo Almeida, 33 anos, perdeu o emprego no início da pandemia e precisou recorrer ao seguro-desemprego, sendo essa a sua única renda durante quatro meses.

 

“Quando fui demitido, o seguro foi a minha única renda durante quatro meses. Tive de sobreviver apenas com esse recurso, solicitei o auxílio emergencial e tive o pedido negado. O seguro-desemprego me ajudou a honrar meus compromissos e a resolver o que era necessário”, relatou.

 

O benefício é pago aos trabalhadores formais demitidos sem justa causa e que receberam salário por, pelo menos, 12 meses nos últimos 18 meses antes da solicitação. 

 

Se essa já for a segunda solicitação, é preciso que o trabalhador tenha recebido por nove meses no último ano. A partir da terceira solicitação, isso vale para os seis meses anteriores à dispensa.

 

A auxiliar de serviços gerais Rosana Coelho, 39 anos, foi informada de que seria desligada da empresa que trabalhou durante sete anos em novembro do ano passado.

 

Enquanto procura uma nova oportunidade, ela deu entrada no pedido do seguro-desemprego para garantir que suas contas continuassem em dia, porém, até agora não teve retorno.

 

“No fim do ano, levei um choque ao ser informada que não iria mais fazer parte da empresa em que trabalhei durante anos, fiz a solicitação pela internet e estou esperando. É muita burocracia, deveriam facilitar a vida da população, ainda mais durante uma pandemia”, explicou.

 

COMO SOLICITAR

Conforme as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), como medida para conter a propagação do novo coronavírus, o Sine/IDT (Sistema Nacional de Emprego e o Instituto de Desenvolvimento do Trabalho) suspendeu o atendimento presencial nas unidades de todo o País.

 

Porém, trabalhadores que precisam dar entrada no seguro-desemprego podem solicitar o benefício de forma on-line, por meio do portal gov.br ou pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital.

 

Para ter direito ao seguro-desemprego, o trabalhador também não pode ter outra fonte de renda que garanta o sustento da família (como empresa aberta) e nem receber outro benefício previdenciário, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC). 

 

Contudo, existem alguns que são exceções: auxílio-acidente, auxílio-suplementar e abono de permanência em serviço.

 

Para calcular o valor das parcelas é considerada a média dos salários dos últimos três meses antes da dispensa. O trabalhador recebe entre três e cinco parcelas, de forma contínua ou alternada, de acordo com o tempo de serviço. O teto é de R$ 1,8 mil.

 

O primeiro pagamento costuma acontecer entre 31 e 60 dias depois da solicitação. Depois disso, as parcelas são liberadas a cada 30 dias.


Fonte: Correio do Estado







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