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Postada por: Jr Lopes dia 04/10/2019
Feiras do IFMS promovem a ciência em dez municípios
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A cena resume a razão de ser uma feira científica. A auxiliar em serviços gerais, Leila Ortiz, ouve de alunos do 7º ano os motivos que levaram as barragens de Mariana e Brumadinho a se romperem. Os estudantes foram estimulados a fazer pesquisa e Leila, que nunca tinha tido contato com a ciência, se encantou com o que viu e ouviu.

 

"É muito legal ver o interesse deles, como crianças ainda, se preocupando com o meio ambiente e com tudo o que está ao nosso redor. Fico feliz de ver esse empenho e creio que terão um grande futuro", comentou Leila.

 

O trabalho apresentado pelos alunos do Colégio Classe A está sendo exposto na Feira de Ciência e Tecnologia de Campo Grande (Fecintec), organizada pelo campus da capital do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS).

 

Para os autores pesquisa - Ana Carolina Corazza, Maria Eduarda Costa e Thiago Corrêa, todos com 12 anos - a participação na primeira feira científica está sendo uma lição para a vida.

 

"Nosso trabalho mostra como uma falha estrutural pode causar perdas humanas e ambientais. Ao estudarmos os vários tipos de barragens, percebemos que algumas são mais frágeis que outras", ressaltou Ana.

 

"A gente descobriu que algumas empresas estão mais preocupadas com o dinheiro do que com as vidas e com o meio ambiente. A escolha da Vale influenciou diretamente na vida e na morte de pessoas", lamentou Maria.

 

"Nós só tínhamos participado de uma feira científica interna na nossa escola, essa é a primeira participação em um evento maior. A grande ambição de um estudante, sem dúvida, é chegar à Intel [maior feira de ensino médio do mundo], realizada nos Estados Unidos. Pelo menos pra mim, é um sonho", revelou Thiago.

 

Ana Paula da Costa, 12, Miguel Santana, 14, e Gabriel Mendes, 13, alunos do 7º, 9º e 6º da Escola Municipal João Evangelista Vieira de Almeida, respectivamente, apresentam um trabalho que envolve toda a escola. Estudantes, professores e funcionários fazem a compostagem, de onde é extraído um biofertilizante natural que é utilizado na horta escolar, de onde são colhidas as verduras e hortaliças servidas na merenda. 

 

O trio de jovens "cientistas" chama atenção dos visitantes pela desenvoltura ao explicar o trabalho.

 

"Aqui na Fecintec, a gente pode passar para outras pessoas o que aprendeu. Quando eu aprendi como fazer compostagem, pensei: tenho que falar mais sobre isso e a feira do IFMS é a oportunidade pra explicar como reaproveitar produtos", ressaltou Ana.

 

"No início eu estava apreensivo por apresentar o trabalho ao público, mas acabei superando isso. Achei que as pessoas iriam perguntar e eu não saberia responder, mas eu consegui e está sendo muito legal. Vou até estudar mais em casa para os próximos dias", planejou Miguel.

 

"É um prazer estar aqui no IFMS representando nossa escola. O que fiquei mais impressionado durante o projeto é como as hortaliças cresceram com o uso do fertilizante que a gente produziu. Achava que não ia dar certo, mas aprendi que dá sim para fazer uma horta na escola e até mesmo dentro de casa", comentou Gabriel.

 

Os estudantes do curso técnico em Eletrotécnica do IFMS, Maykon Mota, Lúcio Moreira, ambos com 18 anos, e Akiel Joton, 16, apresentam um trabalho que busca facilitar a vida do consumidor e estimular o uso consciente de energia elétrica. Os colegas - que fazem estágio na Energisa, concessionária que atua no estado -estão desenvolvendo uma nova funcionalidade do aplicativo da empresa para que o cliente possa acompanhar o consumo em tempo real.

 

"Nós queremos que o usuário consiga contingenciar os gastos com energia elétrica para que o susto no fim do mês não seja grande. Planejamos também implementar um protótipo de medição em tempo real que irá interagir com o aplicativo", explicou Maykon.

 

"A Energisa incentiva os estagiários a fazer um projeto de melhoria dos serviços e isso é benéfico tanto para os clientes quanto para nós, que fazemos o curso técnico. Acreditamos que a ideia poderá ser implementada", comentou Lúcio.

 

"No início, nós tivemos uma certa dificuldade para decidir qual seria a proposta. Inicialmente, faríamos uma apresentação somente da evolução dos medidores. Nosso orientador, professor João Okumoto, nos desafiou sobre qual seria a proposta de inovação. Foi aí que pensamos na nova funcionalidade do aplicativo da Energisa", detalhou Akiel.

 

Este ano, a Fecintec teve 300 trabalhos inscritos, 43% a mais do que em 2018. O número elevado obrigou a coordenação a definir uma nota de corte para que os trabalhos fossem selecionados. Para o vice-coordenador da feira, Fabrício Ravagnani, o dado demonstra que as escolas estão cada vez mais preparando os alunos para participarem do evento.

 

"A Fecintec, na minha opinião, já é uma referência de feira científica em Campo Grande. E esse modelo de iniciação científica transforma os alunos, faz com que eles pensem "fora da caixinha" e reflitam sobre diferentes assuntos. É uma ação de transformação dinâmica e eficaz", comentou Ravagnani.

 

Os 168 trabalhos selecionados para a Fecintec 2019 estão espalhados pelos corredores de três blocos do IFMS, em Campo Grande. A feira é aberta ao público. O endereço do campus é Rua Taquari, 831, Bairro Santo Antônio. A premiação será anunciada a partir das 13 horas desta sexta-feira, 4.

 

Outros municípios - As Feiras de Ciência e Tecnologia do IFMS são realizadas também nos municípios de Aquidauana, Corumbá, Coxim, Dourados, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Ponta Porã e Três Lagoas.

 

Este ano, estudantes do ensino fundamental (6º ao 9º), ensino médio e técnico integrado, de escolas públicas e privadas, apresentam 847 trabalhos nas feiras do IFMS. Todos os autores receberão certificado de participação.

 

Serão premiados trabalhos nas categorias nível médio/técnico integrado e nível fundamental, além de melhores pôster/banner, maquete/protótipo, apresentação oral, relatório, e projeto na categoria nível médio/técnico.

 

As feiras do IFMS também credenciam trabalhos para outros eventos científicos, como a Feira de Engenharias, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Fetec/MS), organizada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

 

Uma novidade este ano é que os participantes da Feira de Ciência e Tecnologia do IFMS no Campus Ponta Porã (Fecifron) também terão a oportunidade de obter credenciamento para eventos na Argentina, Paraguai, Peru, Espanha e México.

 

Ciência e Tecnologia - As feiras do IFMS fazem parte da programação da Semana de Ciência e Tecnologia (SCT), evento que segue até sábado, 5, nos dez municípios onde a instituição tem campus, com palestras, minicursos e oficinas.

 

Todas as atividades têm entrada gratuita e parte delas é aberta ao público. A programação completa em cada município e o acesso ao sistema de inscrições estão disponíveis na página da SCT 2019. 

 

O evento este ano tem como tema “Bioeconomia: diversidade e riqueza para o desenvolvimento sustentável”, seguindo a temática da Semana Nacional da Ciência e Tecnologia (SNC), que ocorrerá no mês de outubro.


Fonte: Ascom/IFMS







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