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Postada por: Jr Lopes dia 17/03/2017
Adolescente que abortou e enterrou feto muda versão
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Sogra da jovem denunciou caso para a polícia (Foto: Gerson Oliveira)


Adolescente de 17 anos que acusou a mãe de ter participado de aborto e enterrado feto no quintal de casa, na tarde de ontem (16/03), alegou versão contrária para delegada responsável pelo caso, durante procedimento realizado na casa da família, no bairro Guanandi, nesta quinta-feira, onde o fato ocorreu.

 

No local estiveram presentes dois peritos criminais e um médico legista. Conforme a delegada que atendeu o caso, Aline Sinnott Lopes, da Delegacia Especializada a Infância e Juventude (Deaij), a polícia encontrou medicamento suspeito na casa da adolescente.

 

“A jovem alega que fez tudo sozinha. Afirmou que ficou dois dias em jejum só tomando o chá abortivo e que expeliu o feto de 21 semanas na terça-feira, quando estava sozinha em casa e sentiu contrações. Depois que o feto saiu o enterrou no quintal”, relatou Aline​.

 

Sobre os áudios gravados pela adolescente em conversa com a mãe, a delegada explicou que são de quatro meses atrás. “A menina disse que foram gravados quando ela fazia tratamento para acne, e que o uso dele exigia que ela não estivesse grávida porque afetaria o bebê. Diante da situação, para testar a mãe, a adolescente perguntou o que a mãe faria se ela estivesse grávida”, contou a delegada, informando que a jovem já sabia da gravidez na época.

 

No áudio é possível escutar a mãe dizendo que compraria medicamento Cytotec – medicamento utilizado para úlcera no estômago e como abortivo – e que não cuidaria da criança. Para a delegada a menina disse que fez a pergunta apenas para “testar” a reação da mãe.

 

Até o momento o caso está sendo tratado como aborto provocado pela própria gestante. Se comprovada a participação da mãe, ela responderá por aborto com participação de terceiros. Pena para este tipo de crime, a pena é de três a 10 anos de reclusão. Para a polícia a mãe nega participação no ato e a filha afirma que a mãe não sabia da gravidez.

 

A delegada aguarda o laudo da perícia do local onde tudo aconteceu, do corpo da menina e do feto, que deve ficar pronto dentro do prazo de 30 dias. Se comprovado que ato foi praticado apenas por parte da menina, a pena varia desde advertência a internação por período de três anos.

 

DENÚNCIA

Ontem, ao ficar sabendo do aborto, a sogra da menina denunciou o caso à polícia, que foi até a residência e confirmou o enterro do feto. “A menina sentia confiança no namorado e falou para ele sobre o aborto, que contou para a mãe, que em seguida fez a denúncia", disse a delegada.

 

Conforme relatou a jovem à delegada, pela sogra saber que a mãe da menina não aceitava o relacionamento com o rapaz, concluiu que a mãe da menina tinha ajudado no aborto.

 

O celular da jovem foi apreendido para que as mensagens trocadas entre a jovem, a mãe dela e o namorado possam ser recuperadas, já que foram apagadas.

 

O CASO

Na tarde de ontem, durante atendimento da Polícia Militar, Tenente Fabrícia contou ao Portal Correio do Estado que a jovem relatou ter sido induzida pela mãe a tomar o chá. Informações apuradas no local são de que a mãe da jovem não aceitava o namoro da filha com homem 10 anos mais velho e que havia descoberto a gestação há pouco tempo.

 

Ainda conforme relatado ao Portal Correio do Estado, a jovem sofria constantes ameaças de que, se ficasse grávida, teria que cometer o aborto. Pessoa ligada à família relatou que, um dos motivos alegados para a não aceitação do namoro do casal, seria a condição financeiras do rapaz.

 

O caso foi registrado na 5ª Delegacia de Polícia Civil. Quem acionou o socorro foi a avó paterna do bebê. Escondida da mãe, a adolescente telefonou para a mãe do namorado e contou o que tinha acontecido.


Fonte: Correio do Estado







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