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Postada por: Jr Lopes dia 09/06/2011
Artigo: Palocci e a multiplicação dos pães, digo, do patrimõnio
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Paulo Hamilton


O Ministro Palocci declarou um patrimônio de 375 mil reais de bens quando fora candidato a Deputado Federal, declaração esta que é obrigatória pela Justiça Eleitoral.


No fim do mandato, o ministro conseguir comprar dois imóveis no valor de 6 milhões e meio de reais.
Intrigante é que o novo rico já é reincidente em casos embaraçosos quando Prefeito de Ribeirão Preto, acusado em fraudes de licitações. Depois foi acusado de obter o sigilo bancário do  caseiro Francenildo dos Santos Costa  que confirmou sua presença em festas com seus ex-assessores numa mansão de Brasília.


De novo e como sempre, seus companheiros de bancada correram em seu favor, fazendo a sua defesa rápida. Perguntamos: Será que teriam a mesma resposta e fariam idêntica defesa, tão rápida, se essa genialidade viesse, na mesma proporção, de um cidadão comum?


Nada se queria demais. Apenas que o ministro dissesse o óbvio: de onde veio tanto dinheiro e quem lhe proporcionou tantas vantagens?


Penso que aqui só deixarei uma mera impressão pessoal de brasileiro, um pensamento ancorado na inacreditável aparição do nosso ministro Palocci, da CASA CIVIL. Vejam só que nesta semana veio, por intermédio de um canal televisivo da Nação, nos explicar algo deveras muito pessoal, enfim, sobre as suspeitas da multiplicação ilícita dos pães, digo, do seu patrimônio.


Pela terceira vez, em oito anos, está de volta ao noticiário político-policial.
Que episódio constrangedor a ele e a toda a Nação.


Afinal todos os que trabalham merecem multiplicar seu patrimônio, eu concordo, não vejo mal nenhum nisso.
O mais triste: O Ministro falou tão calmamente, tão tecnicamente, tão educadamente... falou... sinceramente falou... falou... quase cinicamente falou, na certeza impune de que não falaria nada... E ABSOLUTAMENTE NADA EXPLICOU.


Essa tal certeza se via no seu olhar.
Uma frase lhe escapou e que muito nos chama a atenção: “minha empresa apenas representava os clientes junto ao governo”. Foi isso mesmo que ouvimos ou entendi errado? “Clientes que ele não julga ético revelar seus nomes”.


Muito bem, de fato, a ética política entre nós é de enternecer o coração mais duro.
Dizem que brasileiro é um povo inteligente, eu também acho. O ministro, por exemplo, que é médico, conseguiu multiplicar mais que qualquer economista pós doutorado em economia, portanto, certas explicações dos políticos ferem a nossa inteligente cognição de brasileiros. Fere muito!
Cognição, ministro Palocci, lembra o que significa o termo?


Eu sinceramente penso que, se for para ajudar o Brasil com a sua inteligência multiplicadora, e já que o ministro é médico e deixou o cargo de Ministro Chefe da Casa Civil, agora eu vestiria um jaleco branco e tentaria resolver o grave problema da saúde pública brasileira, que urge não só pela multiplicação das verbas, como pela multiplicação dos profissionais da saúde, dos seus parcos salários, dos equipamentos, dos leitos, da ética e do compromisso social.


Valeu doutor Palocci, que tal operarmos agora o milagre médico da multiplicação da saúde?
Penso também que a nossa Presidente perdeu uma grande oportunidade de mostrar ao país para o quê realmente veio, quando deveria tê-lo demitido tão logo estourou o escândalo.
Qualquer país sério já teria tomado providências imediatas, até que tudo se esclareça... de verdade. E não apenas “para inglês ver!”.


E por que fatos desagradáveis como este costumeiramente acontecem em nosso país?
A causa se resume numa só: crise de homens sérios, nobreza de caráter, civismo, competência, que deveriam ser a tônica em nossos homens públicos, já não mais existem simplesmente, ou em algumas raras exceções. Onde estão as reservas morais deste país? Os homens probos. A Nação está clamando por suas presenças na vida pública para enxotar, banir de vez os vendilhões do templo, os corruptos que estão estorvando este nosso Brasil.
Um abraço fraternal a todos.


(Paulo Hamilton é professor aposentado em Navirai e colaborador do Naviraí Diário)


Fonte: Paulo Hamilton







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